São 11:38 da noite de sábado. Tá esfriando..
Ontem conversei com a minha mãe pelo Facebook.
Uma conversa meio fria, vazia.
Ela nem queria falar comigo, mandou minha irmã dizer que estava tomando banho, mas veio logo após eu escrever: "Tudo bem, tô acostumada. Sempre que eu quero falar com a minha mãe, ela tá no banho ou o celular descarregou, ou ela tá dormindo.. tudo bem. Só diz pra ela que a neta dela tá melhor. Era só isso que eu queria falar!"
Acho que o remorso bateu, e ela veio.
Eu já estava aos prantos..
Mas a tratei com carinho, afinal, é minha mãe.
Ela disse que não sabia do acidente da minha filhinha e que não veio vê-la porque está trabalhando muito.
Não questionei, conheço minha mãe..
Ela disse que nunca mais vem na minha casa...
Que meu marido não aceita minha família, que ele finge gostar dela e dos meus irmãos.. Que mais cedo ou mais tarde ele vai fazer oque o marido da minha irmã fez.. e ela prefere evitar.
Absurdo!
Meu marido nem se interessa pelo meu passado.. muito menos pela história da minha família.
Minha mãe tá evitando se expor, expor o marido dela. Ela tem medo de o meu marido fazer o mesmo que o da minha irmã e questiona-la pela escolha de manter um pedófilo como marido.
Eu só queria viver em paz com ela, queria sentir que ela me ama, sentir amor de mãe.
Eu levei muito tempo pra engolir o fato de ela me negligenciar não só como mãe, mas como ser humano.
O marido dela abusou de mim dos 6 aos 9 anos. Aos 8 eu contei pra ela..
Aos 12, ele disse a ela que estava apaixonado por mim. Me lembro bem desse dia. Ela fervia de raiva de mim: "Tá se sentindo agora, né?? Você vai morar com o seu pai!!"
Ela me pegou pelo braço, me levou na frente dele: "Pede pra ele falar que te ama!! Não é isso que você quer ouvir?!"
E ela sempre repetia que oque acontece dentro de casa, fica dentro de casa!
Eu cresci acoada, me sentindo rejeitada, calada, chorando a cada vez que ouvia a cama deles bater na parede de madrugada..
Aos 15, tentei suicídio. Tomei chumbinho. Quando percebi que ia morrer de verdade, me arrependi e contei a ela, que me levou as presas ao hospital, quase inconsciente.
Fiquei 3 dias na U.T.I, mas 3 em observação.
Nada mudou.
A vida seguiu como sempre: Um inferno.
E eu sempre questionava a Deus: Porque comigo?
Antes do meu padrasto sofri mais 2 abusos de pessoas diferentes. E depois dele, mais 1, de um vizinho nojento! Acho que tinha uns 9 anos.
Esses eu nunca contei pra ela. Ou pelo menos não me lembro de ter contado. Também de que adiantaria?
Sempre me senti como uma criança, agarrada à barra da saia dela, implorando por um pouco de amor.
Até que aos 17, eu presenciei a última cena nojenta do meu padrasto para comigo. Contei no post Menina Azul (http://blogmeninazul.blogspot.com.br/2011/08/menina-azul_27.html)..
Foi aí que tomei coragem, ergui a cabeça e saí de casa.
E foi a melhor coisa que eu fiz..
Um mês depois, recebi a noticia que minha mãe tinha ido na casa das minhas tias dizer pra não acreditarem em nada que eu dissesse, pois eu estava inventando mentiras sobre meu padrasto, que ele nunca tocou em mim e que eu estava afim de aruinar o casamento dela por revolta adolescente.
Fui chorando á casa dela, perguntando PORQUE?
Ela só me olhou e disse: Se queria taaanto ajuda, porque não chamou a policia. Você tá falando que eu não fui boa mãe? --chorando.
Hoje, eu só quero ela perto de mim. Embora eu saiba que isso é praticamente impossível. Sinto falta de abraço de mãe, de colo. Tô passando por momentos tão dificeis e tô sem ninguem por mim.. Apenas eu mesma e um bebê pra criar. Com um futuro incerto e tanta magoa no coração.
Sinto vergonha quando me perguntam porque minha mãe não vem ver a Ju, ou porque ela nunca esta presente. Sempre digo que ela está atolada de trabalho ou está doente.
No fundo invejo meu esposo.
Ele uma mãe amorosa, cuidadosa, protetora.
Que enche ele de beijos e mimos.
Que o defende acima de tudo e todos.
No fundo da minha alma nunca vou superar a falta de amor e toda essa frieza da minha mãe.
Queria que ela amasse minha filha, que viesse ve-la. Que pudessemos aproveitar um almoço no domingo, ir ao parque.. que ela se interessasse pela minha vida, meus problemas..
Poder dizer que entendo que ela deve sofrer muito também, mas que eu estou aqui. Que as escolhas dela, deve ser como fantasmas que assombram ela todos os dias.
E ainda assim, eu a amo tanto..
Ela cantou essa musica pra mim uma vez e hoje, sempre que ouço choro horrores.
http://www.youtube.com/watch?v=c8_TfzEWJk0
Mãe, me perdoa se não fui a filha que você queria que eu fosse.
Eu tentei.
Tudo que posso fazer hoje, é pedir a Deus que abra seu coração e me deixe entrar nele.
Te amo imensamente.



